Crossborder: Potencial de compra dos chineses abre oportunidades para empresas brasileiras

Por Walter Sabini Junior em 11.01.2018 às 19h18

Compartilhe

Por Walter Sabini Junior*

A economia da China se mostra cada vez mais soberana, forte e presente. Segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, em inglês) o Produto Interno Bruto (PIB) chinês apresentou alta de 6,9% no segundo trimestre do ano. O resultado é igual ao obtido nos primeiros três meses de 2017. Outro indicador do NBS foi o de vendas no varejo. Em junho, quando comparado com o mesmo período do ano anterior, houve um crescimento de 11%, superando, também, os 10,7% registrados em maio. Diante dessa perspectiva econômica e da boa estrutura comercial e tecnológica, a China se torna um mercado atrativo para o cross border (comércio transfronteiriço) – tendência que se refere às formas de comércio e entrega que ultrapassam fronteiras. Ou seja, quando consumidores compram on-line em outros países.

Atualmente, com a forte presença da tecnologia no cotidiano das pessoas ao redor do mundo, tudo passa a ser mobile – pesquisa da GlobalWebIndex mostrou que o Brasil é terceiro país do mundo que fica mais tempo on-line no celular, atrás apenas de Tailândia e Arábia Saudita. Os smartphones permitem grande interação entre consumidores e varejistas, aumentando o escopo de atuação em níveis inéditos. Com essa facilidade, o momento passa a ser propício para que os empreendedores brasileiros comecem a atuar no mercado chinês sem a necessidade de grande volume de dinheiro e com segurança.

Com a possibilidade de realizar as vendas por meio de portais, o investimento inicial não precisa ser alto, sendo possível poupar os gastos referentes aos centros de distribuição e colaboradores capacitados. Assim, o primeiro passo para viabilizar o cross border seria buscar integração com as principais plataformas chinesas, terceirizando a gestão para garantir maior aderência no mercado, uma vez que todo o trabalho de marketing seria realizado por uma empresa já conhecida internamente no mercado chinês.

Essas plataformas, que já são conhecidas no mundo todo por causa do seu potencial de alcance e aderência do público, possuem um ecossistema robusto que une as ações de comunicação, o pagamento e a logística, fornecendo toda a tecnologia para que os lojistas possam atuar com maior facilidade. Os chineses vêm ganhando mercado, poder aquisitivo e, consequentemente, maior poder de compra.

No último ano, por exemplo, o cross border movimentou R$ 23 bilhões. Esse valor foi composto por brasileiros que adquirem produtos diretamente da China. Ou seja, o país asiático, mesmo sem possuir centros de distribuição no Brasil, conquista um volume financeiro ao oferecer bons preços e condições únicas, atraindo mais consumidores de todos os lugares do mundo ávidos por boas propostas, fazendo sua economia crescer.

O momento é de investir na China, levando a indústria brasileira para atuar no mercado deles, aproveitando o constante avanço da economia local e a oportunidade convidativa representada por metade dos consumidores do mundo que residem naquele país, tendo em vista que essa prática só aumentará com o passar dos anos.

*Walter Sabini Junior é sócio-fundador da FX Retail Analytics, empresa que oferece inteligência para o varejo por meio do monitoramento de fluxo.

Deixe seu comentário
*
*

© 2019 FX - Retail Analytics - Todos os direitos reservados.