Fluxo de consumidores cai 40% nas lojas físicas e 57% em shopping centers em relação a 2019.

Por Equipe FX em 13.01.2021 às 23h21

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Indicador da FX Data Intelligence e F360º feito em parceria com a SBVC e 4Intelligence traz dados de visitantes e de vendas em shopping centers e lojas de rua de todo o país 

Era esperado: o fluxo de consumidores de lojas físicas e shopping centers no Brasil caiu vertiginosamente em 2020. É o que mostra o Índice de Performance do Varejo (IPV), feito em conjunto pela FX Data Intelligence, especialista em visão computacional dirigida por IA, fornecendo insights estratégicos para o varejo, e pela F360º, plataforma de gestão de varejo para franquias, pequenos e médios varejistas, em parceria com a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).

Os dados são chancelados pela 4Intelligence, empresa que desenvolve plataformas de inteligência para o mercado B2B. Ela é a responsável pela metodologia nas análises, garantindo mais equilíbrio ao estudo e agregando outros índices para ratificar a sinergia com outros benchmarks do mercado, como a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio). 

No acumulado de 2020, a quantidade de visitantes em lojas físicas de todo o país caiu 40,12% na comparação com 2019. O pior desempenho foi dos pontos de vendas localizados em shopping centers: -45,37%. Já os localizados em ruas caíram 28,42%. O movimento dos shopping centers recuou 56,55% em todo o ano passado. 

gráfico comparativo anual do fluxo de visitas em shopping centers e lojas físicas

O mês de dezembro manteve o cenário de queda na comparação anual registrado desde março, com o início da pandemia da Covid-19. O fluxo nos shopping centers foi 51,28% inferior em relação a 2019, enquanto o de lojas físicas teve queda de 38,39%. Os pontos de venda estabelecidos em ruas recuaram 30,12% no último mês de 2020; os de centros de compra apresentaram –41,02% no total. 

Na análise regional, as lojas físicas do Norte e Nordeste tiveram o menor recuo, com -28,14% e -28,85%, respectivamente. As lojas do Sul caíram 34,93% e as do Sudeste registraram –42,34%. Já as localizadas no Centro-Oeste tiveram o pior desempenho: -48,04%

gráfico comparativo anual do fluxo de visitas em lojas físicas por Região do Brasil

Entre os shopping centers, o Nordeste teve a menor queda em dezembro de 2020 na comparação com o mesmo período do ano passado: -40%. Os centros de compra da região Sudeste caíram 54,34% e os do Sul registraram –61,58%. Os shopping centers localizados no Centro-Oeste e no Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento. 

Nas categorias, “home center” conseguiu registrar alta em dezembro na comparação com o mesmo período de 2019: 2,85%. Foi a única que teve aumento no período e com o menor recuo no acumulado do ano (-14,17%). “Departamento” e “eletroeletrônicos” ficaram em -11,53% e -17,09%, respectivamente. “utilidades domésticas” (-32,15%), “calçados” (-34,33%), “drogaria” (-36,09%) e “beleza” (-36,54%) tiveram quedas grandes. Já “ótica” e “moda” tiveram o pior desempenho, com -41,08% e -48,28%, respectivamente. 

Gráfico comparativo anual do fluxo de visitas por segmento

“A queda na movimentação do varejo já era esperada, mas se observamos o contexto ao longo de 2020, percebemos que pouco a pouco começam a recuperar o fluxo perdido antes da pandemia. Além disso, há a consolidação de novos canais de vendas, permitindo uma integração de canais completa pela primeira vez no cenário brasileiro.”

Eduardo Terra, Presidente da SBVC

Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, explica que o desempenho negativo já era esperado, mas que o ano de 2021 pode trazer resultados melhores. “Ainda que o número de casos esteja aumentando, a possibilidade de vacina em diversos estados brasileiros nos próximos meses e a própria adaptação dos consumidores permite vislumbrar um ano mais positivo no fluxo de visitantes nas lojas físicas.” 

Fluxo de consumidores segue em alta na comparação mensal 

Ainda que os resultados continuem abaixo do período pré-pandemia, a expectativa de aumento em 2021 se justifica pelo crescimento na comparação mensal do Índice de Performance do Varejo. O mês de dezembro teve um movimento de consumidores maior do que o de novembro – é o oitavo aumento consecutivo. 

No total, houve aumento de 17,77% na movimentação dos shopping centers e de 31,27% no comércio de lojas físicas de todo o país. As lojas situadas nos centros de compras tiveram o melhor desempenho, com crescimento de 32,12%, enquanto as localizadas em ruas cresceram 31,12%

Gráfico comparativo mensal do fluxo de visitas aos shopping centers e lojas físicas

Na análise regional, as lojas físicas do Sul tiveram o melhor desempenho, com 54,93%. Na sequência aparecem Sudeste (38,54%), Norte (33,77%) e Centro-Oeste (32,78%). Já as localizadas no Nordeste cresceram apenas 0,94% na comparação com novembro. 

Gráfico de evolução mensal do fluxo de visitas em lojas físicas por região do Brasil

Entre os shopping centers, o Sul novamente puxou o crescimento do segmento em dezembro de 2020, com alta de 25,21%. Já os shopping centers do Nordeste e do Sudeste cresceram 19,5% e 16,25%, respectivamente. Os centros de compras do Centro-Oeste e do Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento.

Gráfico de evolução mensal do fluxo de visitas em shoppings centers por região do Brasil

Nas categorias, “moda” apresentou o melhor desempenho de fluxo no período, com 65,1%, seguida por “calçados”, com 53,71%, e “beleza”, com 25,03%. “utilidades domésticas” (8,39%), “departamento” (0,9%) e “eletroeletrônicos” (0,61%) também subiram. Já “drogaria” caiu 1,01%, enquanto que “home center” e “ótica” recuaram 7,96% e 8,35%, respectivamente. 

gráfico comparativo mensal do fluxo de visitas por segmento

“O comparativo mensal mostra que a flexibilização do comércio a partir de junho de 2020 trouxe impactos positivos na movimentação dos consumidores. Com a possibilidade da vacina e a adoção de medidas preventivas, esses números tendem a aumentar mesmo em períodos tradicionalmente mais parados para o varejo.”

Flávia Pini, CEO da FX Data Intelligence.

Vendas também seguem em alta no comparativo mensal

As vendas acompanharam a movimentação dos consumidores, com queda no comparativo anual, mas alta na análise mensal tanto no volume financeiro quanto no de pedidos. Os dados são da F360º, plataforma de gestão financeira com conciliação automática de vendas por cartão para o pequeno e o médio varejista.

O total acumulado de transações em 2020 na comparação com o ano anterior foi 7,84%menor nas lojas de rua e de –35,78% nos estabelecimentos localizados em shopping centers. Na comparação entre “dezembro 2020” e “dezembro 2019”, o recuo foi mínimo: -3,44% nos pontos de venda em ruas e -22,97% em shopping centers.

gráfico comparativo de boletos faturamento fluxo em lojas de rua
gráfico comparativo de boletos faturamento fluxo em shoppings

Entre as regiões, o melhor desempenho foi no Norte, com 6,22%, seguido pelo Nordeste, com 3,89%. Já o total de transações no Centro-Oeste caiu 0,98%, enquanto o Sul e o Sudeste tiveram queda de 9,3% e 11,82%, respectivamente. 

Na comparação mensal, o total de transações teve alta de 23,97% nas lojas de rua e de 78,09% nos shopping centers em relação a novembro de 2020. Entre as regiões, o melhor desempenho foi do Sul, com 55,08%, seguido pelo Sudeste (48,56%), Centro-Oeste (27,49%), Norte (21,43%) e Nordeste (5,83%).

Já na análise do faturamento, o ano de 2020 (acumulado) mostrou -1,38% para as lojas de rua e -24,68% para as lojas de shopping centers. Na comparação entre “dezembro 2020” e “dezembro 2019”, os pontos de venda das ruas conseguiram crescer 2,85% (quarta alta seguida em relação ao período pré-pandemia). Já os dos centros de compra caíram (-9,39%). 

Entre as regiões, o melhor desempenho no comparativo anual foi registrado no Nordeste, com crescimento de 18,32% em relação a dezembro de 2019. O Norte também teve alta, com 14,29%. O Centro-Oeste teve leve recuo de 0,11%, o Sul caiu 1,24% e o Sudeste ficou em –2,65%

Na comparação mensal, o volume financeiro faturado teve alta de 12,48% nas lojas de rua e 76,11% nos shopping centers em relação a novembro de 2020. O Sul teve o melhor desempenho neste comparativo, com 45,25%, seguido por Sudeste (32,9%), Centro-Oeste (16,48%) e Norte (13,4%). O Nordeste teve um recuo de 0,13%

“É natural que o índice de transações e de volume financeiro feche o ano com índices negativos por conta da queda grande do fluxo de consumidores. Contudo, o que se vê é que, pouco a pouco, os estabelecimentos encontram alternativas para continuarem vendendo e recuperando o cenário registrado antes da pandemia de Covid-19”,

Henrique Carbonell, CEO da F360°.

O estudo completo está disponível em www.fxdata.com.br/ipv.

O IPV tem por objetivo ser uma medida-resumo diária da intensidade de visitas e vendas de estabelecimentos do varejo. O IPV mensal, também acompanha, em grande medida, o volume de vendas no comércio varejista (PMC restrita). Nesse sentido, o IPV pode ser considerado um antecedente da pesquisa do IBGE. Para o cálculo do IPV, consideramos apenas os estabelecimentos que estão presentes na nossa base das empresas integrantes do índice no último dia de interesse. Além disso, esses estabelecimentos devem ter sido inseridos há pelo menos um ano. Em linhas gerais, o peso de cada estabelecimento é dado pela sua média histórica em relação à soma de todas as médias históricas de todos os estabelecimentos. Por conta disso, é natural que haja pequenas modificações a cada divulgação devido à inserção de novas informações. Para mais informações, acesse https://www.fxdata.com.br/nota-metodologica-ipv.pdf


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