Após 8 meses em alta, fluxo de consumidores e vendas voltam a cair em janeiro

Por Equipe FX em 17.02.2021 às 22h03

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No primeiro mês de 2021, tanto os indicadores de vendas quanto o de circulação de consumidores registraram forte redução frente ao mesmo mês do ano anterior, ainda refletindo os efeitos econômicos da pandemia. 

A contração mais acentuada dos indicadores de visitação em comparação com os indicadores de venda indica que, apesar da tendência de redução das vendas mediante atendimento presencial, canais de venda alternativos impedem uma queda mais acentuada do faturamento, em especial em lojas de rua. Em relação ao mês de dezembro, a contração dos indicadores de venda e de visitas no primeiro mês de 2021 é esperada devido ao forte movimento típico de final de ano.

Por Júlia Ghizzi, analista da 4Intelligence.

Comparativo Anual de Fluxo Vs Boletos vs Faturamento de Lojas Físicas de Rua

Comparativo Anual de Fluxo Vs Boletos vs Faturamento de Lojas Físicas de Shopping Centers

Plano São PauloComo o fechamento do varejo aos finais de semana impactou o fluxo e o faturamento

Por Júlia Ghizzi, analista da 4Intelligence.

A proposta de fechamento dos shoppings aos finais de semana é um risco negativo para a performance do varejo. Em 2019, a movimentação diária nas lojas de shopping do Estado de São Paulo foi em média 55,6% maior nos finais de semana e feriados, frente a dias úteis, sendo que, historicamente, sábado é o dia da semana em que o IPV registra o maior fluxo médio de visitas.

Em 2020, entre o dia 23 de março e meados de junho, a implantação de medidas de isolamento social fez com que os shoppings do Estado de São Paulo fossem fechados para visitação. Com efeito, o índice semanal de fluxo de visitas a lojas de shoppings em São Paulo registrou redução abrupta no período, assim como o índice semanal de faturamento. O impacto mais forte ocorreu na circulação de consumidores. Além disso, houve reversão temporária do padrão histórico de aumento de visitação e de faturamento nos finais de semana em relação a dias úteis. Para os últimos feriados de Natal e de Ano Novo, quando também vigorou a fase vermelha do Plano São Paulo, observamos a mesma reversão temporária. Contudo, como as restrições vigoraram exclusivamente nos feriados, não houve queda acentuada no faturamento e na quantidade de transações semanais.

Foram oito meses consecutivos de alta mensal desde a flexibilização do comércio em maio de 2020, mas a segunda onda da pandemia da Covid-19 derrubou novamente o fluxo de consumidores no país.

Comparativo Mensal Fluxo de Visitas Shopping Centers Vs Lojas Físicas

Em janeiro de 2021, houve queda de 25,7% na movimentação dos shopping centers e de –48,1% no comércio de lojas físicas de todo o país. As lojas situadas nas ruas tiveram recuo de 41%, enquanto as localizadas em centros de compra caíram 52%.

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas por Região

Na análise regional, todas registraram quedas no comparativo mensal. As lojas físicas do Norte ficaram em -37,5%, seguido por Nordeste, com -39,6%, e Centro-Oeste, com -46,5%. As localizadas no Sudeste e no Sul caíram mais de 50% na comparação com dezembro de 2020: -50,1% e -51,6%, respectivamente.

Eduardo Terra 
A queda no comparativo mensal depois de meses seguidos de alta é explicada pelo endurecimento das regras de isolamento social em razão da segunda onda de pandemia de covid-19. Isso evidentemente afastou os consumidores, principalmente no comparativo com dezembro, um dos meses mais movimentados do varejo brasileiro

Evolução Mensal do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas por Região

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas em Shopping Centers por Região

Entre os shopping centers, o Sul teve o menor recuo em janeiro de 2021 no segmento (-13,4%). Já os shopping centers do Nordeste e do Sudeste registraram –19,6% e –31,6%, respectivamente. Os centros de compras do Centro-Oeste e do Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento. 

Evolução Mensal do Fluxo de Visitas em Shopping Centers por Região

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas por Segmento 

Nas categorias, “drogaria” caiu 3,9% e foi a única com queda inferior a dois dígitos. “Home center” caiu 13,1%, seguido por “departamento” (-23%), e “ótica” (-25,8%). Na sequência aparecem “utilidades domésticas” (-41,3%), “calçados” (-43%), “moda” (-57,8%) e “beleza” (-58,6%).

“O avanço da vacinação e a expectativa de controle da pandemia contribuem para uma projeção positiva, atrelada também às medidas macroeconômicas para recuperação do varejo nacional”. 

Pedro Paulo Silveira, Economista-chefe da Nova Futura Investimentos

Comparativo anual do fluxo de visitantes segue em queda

O desempenho negativo do fluxo de consumidores em janeiro de 2021 também se refletiu no comparativo com o mesmo mês de 2020. A movimentação dos shopping centers foi 54,7% menor – o pior índice desde outubro. As lojas físicas registraram -48,4% em relação ao ano passado – pior marca desde julho. Os pontos de venda estabelecidos em ruas recuaram 37,4%; os de centros de compra apresentaram –53,2%.

Comparativo Anual do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas por Região

Na análise regional, as lojas físicas do Nordeste tiveram o menor recuo, com -36,1% e as do Norte tiveram -43,1%. No Sudeste, houve queda (-50,5%), enquanto no Sul foi -51,8% e no Centro-Oeste, -53,1%.

Entre os shopping centers, o Nordeste teve a menor queda em janeiro de 2021 na comparação com o mesmo período do ano passado: -41,6%. Os centros de compra da região Sul caíram 50,7% e as do Sudeste registraram –61,4%. Os shopping centers localizados no Centro-Oeste e no Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento. 

Comparativo Anual do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas por Segmento 

Nas categorias, “home center” foi a única com queda menor do que dois dígitos: -8,3%. “Departamento” teve -28,6%, seguido por “drogaria” (-37,1%), “ótica” (-47%), e “utilidades domésticas” (-48,3%). Na sequência aparecem “beleza” (-50,5%), “calçados” (-50,8%) e “moda” (-56,5%).

“Ainda vai levar um tempo para que o fluxo do varejo retorne aos indicadores do período pré-pandemia. O importante, agora, é encontrar alternativas que possam atender esse consumidor omnichannel, buscando inteligência na tomada de decisão para manter as vendas em dia mesmo com as lojas físicas fechadas”. 

Flávia Pini, CEO da FX Data Intelligence

Vendas também caem, mas em ritmo menor

Com menos consumidores nas lojas, as vendas também tiveram quedas tanto no comparativo mensal quanto anual. Os dados são da F360º, plataforma de gestão financeira com conciliação automática de vendas por cartão para o pequeno e o médio varejista.

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas 

Na comparação mensal, o total de transações em janeiro de 2021 ficou em -42,15% nas lojas de rua e -59,73% nas lojas de shopping centers em relação a dezembro de 2020. Entre as regiões, o menor recuo foi do Nordeste, com -31,63%, seguido por Centro-Oeste (-43,46%), Norte (-47,9%), Sul (-51,3%) e Sudeste (-52,47%).  

Já na análise do faturamento, houve queda de 37,32% nas lojas de rua e -62,18% nas lojas de shopping centers. Entre as regiões, o menor recuo foi do Nordeste, com -23,13%, seguido por Centro-Oeste (-40,53%), Norte (-42,87%), Sul (-50,26%) e Sudeste (-50,3%).

Lojas de Rua 

Lojas de Shopping Center 

“O mês de janeiro conta com as famosas promoções e liquidações de estoque. Isso ajudou a diminuir o impacto do novo coronavírus  e da queda do fluxo de consumidores no caixa dos varejistas. Com a expectativa em torno da recuperação econômica, os indicadores devem subir no restante do ano”. 

Henrique Carbonell, CEO da F360º

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas 

No comparativo anual, o número de transações registrou -7,45% entre as lojas de rua e -28,16% nas lojas em shopping centers em relação a janeiro de 2020. Entre as regiões, o menor recuo foi no Nordeste, com -1,03%, seguido por Centro-Oeste, com -5,67%. Na sequência aparecem Sul (-13,15%), Norte (-14,01%) e Sudeste (-19,3%). 

Já no faturamento, a queda em relação ao primeiro mês de 2020 foi de 3,53% entre as lojas de rua e 16,62% entre as localizadas em centros de compras. Na análise regional, o Nordeste registrou alta de 9,5%. O Centro-Oeste teve um leve recuo de 1,98% e o Sul, -6,71%. Já o Norte e o Sudeste tiveram -10,19% e -11,19%, respectivamente. 

Lojas de Rua 

Lojas de Shopping

IPV vs PMC

Em dezembro, a PMC registrou crescimento de 1,2% na comparação com dezembro de 2019, enquanto o IPV apontou uma forte redução no fluxo de visitas na mesma base. Tal descolamento pode ter ocorrido devido ao aumento da importância das compras online para o varejo brasileiro. Após a queda do IPV sofrida nos meses de abril e maio, quando medidas de isolamento social vigoraram com certo engajamento da população, não houve recuperação do fluxo de visitação nos meses seguintes. O mês de dezembro é exceção devido à alta sazonal atribuída ao período natalino. O não controle da pandemia em 2020, impediu que a circulação em shoppings e lojas voltasse ao patamar pré-pandemia, mas não impediu que o volume de vendas no comércio varejista fosse recuperado.

ipv pmc

 

O IPV tem por objetivo ser uma medida-resumo diária da intensidade de visitas e vendas de estabelecimentos do varejo. O IPV mensal, também acompanha, em grande medida, o volume de vendas no comércio varejista (PMC restrita). Nesse sentido, o IPV pode ser considerado um antecedente da pesquisa do IBGE. Para o cálculo do IPV, consideramos apenas os estabelecimentos que estão presentes na nossa base das empresas integrantes do índice no último dia de interesse. Além disso, esses estabelecimentos devem ter sido inseridos há pelo menos um ano. Em linhas gerais, o peso de cada estabelecimento é dado pela sua média histórica em relação à soma de todas as médias históricas de todos os estabelecimentos. Por conta disso, é natural que haja pequenas modificações a cada divulgação devido à inserção de novas informações. Para mais informações, acesse https://www.fxdata.com.br/nota-metodologica-ipv.pdf


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