Fluxo de consumidores volta a subir no comparativo mensal em fevereiro

Por Equipe FX em 18.03.2021 às 20h23

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Em fevereiro de 2021, o IPV de Lojas Físicas registrou uma variação acumulada em 12 meses negativa de 64,3%, apesar da expansão mensal de 7,4% entre janeiro e fevereiro. Mitigando os efeitos sazonais, a mesma dinâmica de redução do fluxo de visitas é observada no IPV de shopping centers em fevereiro. Dentre todos os setores que compõem o IPV, o setor de Ótica registra a maior contração acumulada em 12 meses de 56,9%, enquanto o setor de Home Center tem a menor contração de 10,1%. No mês anterior, o setor de Home Center também se destacou pela menor redução acumulada em 12 meses. Da mesma forma, setores correlatos foram destaques da divulgação de janeiro da Pesquisa Mensal do Comércio (IBGE) realizada pelo IBGE.

Na comparação com janeiro de 2021, com influências sazonais, o fluxo de visitas a lojas físicas na região Norte aumentou em 77,5%, movimento positivo muito mais forte que o desempenho do agregado, 7,4%. No entanto, esse desempenho é reflexo do agravamento da pandemia na região, que prejudicou a circulação de pessoas resultando em uma performance fraca do IPV no mês. Vale ressaltar que considerando a variação acumulada em 12 meses, houve redução de 37,6% em fevereiro de 2021 do IPV da região Norte, a menor contração dentre todas as regiões.

Em linha com a redução da visitação em lojas físicas e shoppings, os índices de faturamento e de quantidade de boletos emitidos também registraram variação acumulada em 12 meses negativa de 6,0% e de 16,4%, respectivamente, em fevereiro de 2021. Ademais, em comparação com fevereiro de 2020, tanto os indicadores de venda quanto de visitação registraram queda.

Na margem, os resultados continuam ilustrando os efeitos adversos da pandemia sobre a performance do varejo. Esperamos observar novas quedas significativas nos próximos dias por conta do recrudescimento das medidas de restrição à mobilidade.

Por Júlia Ghizzi, analista da 4Intelligence.

Comparativo Anual de Fluxo de Visitas, Boletos e Faturamento Fevereiro 2021 x Fevereiro 2020

Comparativo Anual de Fluxo vs Boletos vs Faturamento de Lojas Físicas de Rua

Comparativo Anual de Fluxo vs Boletos vs Faturamento de Lojas Físicas de Shopping Centers

Em fevereiro de 2021, houve aumento de 9,7% na movimentação dos shopping centers e de 7,4% no comércio de lojas físicas de todo o país no comparativo com o primeiro mês do ano. As lojas situadas nos centros de compra tiveram a maior alta, com 9,9%, enquanto as localizadas nas ruas subiram 4,8%. 

Comparativo Mensal Fluxo de Visitas Shopping Centers vs Lojas Físicas

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas por Região Fevereiro 2021 vs Janeiro 2021 

Na análise regional das lojas físicas, duas registraram quedas no período. O Centro-Oeste teve recuo de 15,5%, enquanto o Nordeste caiu 9%. O Sul, por sua vez, cresceu 6,6% e o Sudeste, 9,7%. O Norte teve aumento expressivo de 77,5% após ter caído mais de 90% no indicador em janeiro. 

Evolução Mensal do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas por Região

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas em Shopping Centers por Região Fevereiro 2021 Vs Janeiro 2021  

Entre os shopping centers, o Sudeste foi a única região com crescimento: 21,9%. O Sul, por sua vez, ficou em -25,6% e o Nordeste, -1,9%. Os centros de compras do Centro-Oeste e do Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento.  

Evolução Mensal do Fluxo de Visitas em Shopping Centers por Região

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas por Segmento 

Nas categorias, “drogaria” teve a maior queda, com -21%, seguida por “home center”, com -3,3%, e “departamento”, com -2,3%. Eletroeletrônicos, categoria que havia caído quase 100% em janeiro, cresceu 4.116% em fevereiro de 2021. “Ótica” e “utilidades domésticas” cresceram dois dígitos, com 15,2% e 15,1%, respectivamente. Na sequência aparecem “moda” (7,9%), “beleza” (1,7%) e “calçados” (0,5%).

Com o cenário de preocupação com a segunda onda da pandemia no início de ano, o mês de fevereiro ficou marcado pela iniciativa do poder público em controlar a circulação das pessoas, mas sem afetar os comércios até então . Isso explica essa leve recuperação mensal após uma grande queda no primeiro mês de 2021

* Em particular, o setor de Eletroeletrônicos registrou alta extraordinária em fevereiro frente a janeiro, também devido ao mal desempenho do setor no mês anterior. Como o IPV Eletroeletrônicos é composto majoritariamente por estabelecimentos amazonenses, esse desempenho ruim em janeiro está associado à adoção de medidas severas de restrição à circulação no Estado do Amazonas. Inclusive, na edição de janeiro do IPV, não era possível computar o índice para o setor de Eletroeletrônicos por falta de amostra. Com a flexibilização das medidas de restrição à circulação a partir do mês de fevereiro, o IPV Eletroeletrônicos volta ao relatório.

Enquanto não houver controle efetivo da pandemia, o varejo vai sofrer com essas oscilações de queda e crescimento no comparativo mensal, reflexo dos impactos da doença na sociedade brasileira.

Comparativo anual do fluxo de visitantes segue em queda

O comparativo anual do fluxo de consumidores continuou em queda na análise entre fevereiro de 2021 com fevereiro de 2020 (o último mês antes do início da pandemia). A movimentação dos shopping centers foi 47,9% menor – a melhor marca desde março de 2020. As lojas físicas registraram -44,5% em relação ao ano passado. Os pontos de venda estabelecidos em ruas recuaram 37,7%; os de centros de compra apresentaram -47,6%.  

Comparativo Anual do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas por Região 

Na análise regional, as lojas físicas do Nordeste tiveram o menor recuo, com -33%, seguidas pelo Sudeste, com -36,4%. No Centro-Oeste, registraram-se -41%; no Sul, -42,4%; e no Norte, -83,1%. O acumulado do ano no Brasil é de -50,1%.

Entre os shopping centers, o Nordeste teve a menor queda em fevereiro de 2021 na comparação com o mesmo período do ano passado: -39,2%. Os centros de compra da região Sudeste caíram 50,9% e os do Sul registraram -59,1%. Os shopping centers localizados no Centro-Oeste e no Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento.  No acumulado do ano, a queda no país é de -51,6%. 

Comparativo Anual do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas por Segmento 

Nas categorias, apenas uma teve crescimento no comparativo com fevereiro de 2020: “home center” subiu 0,9%. “Departamento” teve -21,5%, seguido por “ótica” (-36,4%), “utilidades domésticas” (-36,6%) e “moda” (-39,3%). Na sequência aparecem “beleza” (-45,7%), “drogaria” (-46%), “calçados” (-78%) e “eletroeletrônicos” (-81,1%).

Fluxo de Visitas Fevereiro 2021 x Fevereiro 2020 

Comparativo Anual do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas por Segmento
A queda no comparativo com fevereiro de 2020 já era esperada não apenas pela segunda onda da pandemia, mas por ser o último mês antes do avanço do novo coronavírus no país. A expectativa é que nos próximos meses, com a vacinação e a redução dos casos e mortes, o comércio possa voltar ao cenário pré-pandêmico

Vendas também caem, mas em ritmo menor

A recuperação do fluxo de consumidores no comparativo mensal em fevereiro de 2021 não se refletiu no caixa dos lojistas, que registraram novas quedas tanto no número de transações quanto no volume financeiro. Os dados são da F360º, plataforma de gestão financeira com conciliação automática de vendas por cartão para o pequeno e o médio varejista. 

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas 

Na comparação mensal, o total de transações em fevereiro de 2021 ficou em -3,4% nas lojas de rua e -8,3% nas lojas de shopping centers em relação a janeiro. Entre as regiões, o Sudeste ficou estagnado (nem subiu e nem caiu). Já o Centro-Oeste registrou -4,7%; o Norte, -5,4%; o Sul, -7,9%; e o Nordeste, -14,6%. 

Houve queda na análise do faturamento: -9,7% nas lojas de rua e -4,9% nas lojas de shopping centers. Entre as regiões, o menor recuo foi do Sudeste, com -2,2%, seguido por Centro-Oeste (-8%), Norte e Sul (-10,6% cada) e Nordeste (-23,3%). 

Evolução Mensal de Boletos vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de Rua

Evolução Mensal de Boletos vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de Shopping Centers

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas 

No comparativo anual, o número de transações registrou -7,1% entre as lojas de rua e -31,3% nas lojas em shopping centers em relação a fevereiro de 2020. Entre as regiões, o menor recuo foi no Nordeste, com -8,8%, seguido por Centro-Oeste, com -9,7%. Na sequência aparecem Sudeste (-16,3%), Sul (-17%) e Norte (-17,9%).   

Já no faturamento, a queda em relação a fevereiro de 2020 foi de 1,3% entre as lojas de rua e 16,9% entre as localizadas em centros de compras. Na análise regional, o Nordeste registrou alta de 0,7%. O Centro-Oeste teve -3,3% e o Sudeste, -3,8%. Já o Sul e o Norte tiveram -11,3% e -13,5%, respectivamente. 

Comparativo Anual de Boletos vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de Rua 

Comparativo Anual de Boletos vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de Shopping Centers

Em termos de vendas, o mês de fevereiro tradicionalmente é um período mais fraco para o varejo. Junte a isso a preocupação dos consumidores com a segunda onda da pandemia de covid-19 e o endurecimento das regras de flexibilização do comércio em grande parte do país para chegar a esse cenário de queda novamente no comparativo mensal

IPV vs PMC

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) registrou retração de -0,3% em janeiro de 2021 na comparação com janeiro de 2020, assim como contração de -0,2% entre janeiro e dezembro, descontando fatores sazonais. A última divulgação da PMC reflete, principalmente, o fim do auxílio emergencial e a piora da pandemia no país. A PMC restrita registrava crescimento positivo na comparação ano contra ano desde junho, enquanto o IPV de lojas físicas registra contração nessa medida desde março de 2020, o que é explicado pela sensibilidade do nosso indicador a medidas de isolamento social e pela perda de relevância dos canais de compra presenciais.

IPV vs PMC

O IPV tem por objetivo ser uma medida-resumo diária da intensidade de visitas e vendas de estabelecimentos do varejo. O IPV mensal, também acompanha, em grande medida, o volume de vendas no comércio varejista (PMC restrita). Nesse sentido, o IPV pode ser considerado um antecedente da pesquisa do IBGE. Para o cálculo do IPV, consideramos apenas os estabelecimentos que estão presentes na nossa base das empresas integrantes do índice no último dia de interesse. Além disso, esses estabelecimentos devem ter sido inseridos há pelo menos um ano. Em linhas gerais, o peso de cada estabelecimento é dado pela sua média histórica em relação à soma de todas as médias históricas de todos os estabelecimentos. Por conta disso, é natural que haja pequenas modificações a cada divulgação devido à inserção de novas informações. Para mais informações, acesse https://www.fxdata.com.br/nota-metodologica-ipv.pdf


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