Medidas de isolamento social voltam a derrubar fluxo no comércio nacional

Por Equipe FX em 16.04.2021 às 16h44

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Durante o mês de março, o agravamento da pandemia e a consequente sobrecarga do sistema de saúde levaram diversas autoridades locais a enrijecerem os controles para restrição de mobilidade. Estados e municípios adotaram medidas como: o fechamento do comércio não essencial, a adoção de toque de recolher e, inclusive, a proibição da comercialização de alguns produtos como bebidas alcoólicas. 

Conforme o esperado, a ampla adoção de medidas restritivas é refletida no IPV. Em março de 2021, o IPV de fluxo de visitas registrou diminuição de 61,8% e 44,1% em shoppings centers e lojas de rua, respectivamente, em comparação com março de 2020. 6 dos 9 setores pesquisados também registraram contração na mesma base de comparação. 

No que tange ao faturamento, o IPV registrou variação anual de 9,30%, com crescimento positivo em todas as regiões, destaque para o Norte (18,88%) e o Nordeste (18,07%).

A incerteza continua presente no mês de abril, uma vez que algumas autoridades locais já divulgaram a prorrogação de medidas restritivas. No entanto, o pagamento da primeira parcela do auxílio emergencial para o público geral pode representar um alívio, mesmo que os pagamentos sejam menores e para menos beneficiários.

Por Júlia Ghizzi, analista da 4Intelligence.

Comparativo Anual de Fluxo de Visitas, Boletos e Faturamento Março 2021 x Março 2020

Comparativo Anual de Fluxo vs Boletos vs Faturamento de Lojas Físicas de Rua

Comparativo Anual de Fluxo vs Boletos vs Faturamento de Lojas Físicas de Shopping Centers

Release Completo 

Medidas de isolamento social voltam a derrubar fluxo no comércio nacional

As medidas de restrição e isolamento social adotadas em grande parte do país derrubaram o fluxo de consumidores no comércio brasileiro. O levantamento é do Índice de Performance do Varejo (IPV), feito em conjunto pela FX Data Intelligence, especialista em visão computacional dirigida por IA, fornecendo insights estratégicos para o varejo, e pela F360º, plataforma de gestão de varejo para franquias, pequenos e médios varejistas, em parceria com a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). 

Os dados são chancelados pela 4Intelligence, empresa que desenvolve plataformas de inteligência para o mercado B2B. Ela é a responsável pela metodologia nas análises, garantindo mais equilíbrio ao estudo e agregando outros índices para ratificar a sinergia com outros benchmarks do mercado, como a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio).

Em março de 2021, houve queda de 58% na movimentação dos shopping centers e registro de -41,3% no comércio de lojas físicas de todo o país no comparativo com fevereiro. As lojas situadas nos centros de compras tiveram o maior recuo, com -47,4%, enquanto as localizadas nas ruas caíram 33,1%.

Comparativo Mensal Fluxo de Visitas Shopping Centers vs Lojas Físicas

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas por Região Março 2021 vs Fevereiro 2021 

Na análise regional das lojas físicas, apenas o Norte registrou alta no período: 203,2%, uma vez que a segunda onda da pandemia de covid-19 atingiu a região antes das demais. O Sudeste teve a pior queda, com -62,4%, seguido por Centro-Oeste, com -56,8%, Sul -45,4%, e Nordeste -43,8%.

Evolução Mensal do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas por Região

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas em Shopping Centers por Região Março 2021 Vs Fevereiro 2021  

Entre os shopping centers, o Sudeste novamente teve a maior queda em março de 2021: -74,2%. O Nordeste teve -39,7% e o Sul, -20,4%. Os centros de compras do Centro-Oeste e do Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento. 

Evolução Mensal do Fluxo de Visitas em Shopping Centers por Região

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas por Segmento 

Nas categorias, “eletroeletrônicos” voltou a crescer de forma significativa, com alta de 338,86%. “Calçados”, com 48,5%, e “drogaria”, com 23%, também subiram no levantamento mensal. O maior recuo foi da categoria “utilidades domésticas”, com -67,7%, seguido por “moda”, com -62,1%, e “departamento”, com -61,5%. “Beleza” (-46,8%), “home center” (-30,1%) e “ótica” (-10%) também caíram.

* Em particular, o setor de Eletroeletrônicos registrou alta extraordinária em fevereiro frente a janeiro, também devido ao mal desempenho do setor no mês anterior. Como o IPV Eletroeletrônicos é composto majoritariamente por estabelecimentos amazonenses, esse desempenho ruim em janeiro está associado à adoção de medidas severas de restrição à circulação no Estado do Amazonas. Inclusive, na edição de janeiro do IPV, não era possível computar o índice para o setor de Eletroeletrônicos por falta de amostra. Com a flexibilização das medidas de restrição à circulação a partir do mês de fevereiro, o IPV Eletroeletrônicos volta ao relatório.

Um ano depois, comparativo anual segue em baixa

Pela primeira vez, o IPV traz um comparativo anual dentro de um cenário de pandemia. Contudo, a análise do fluxo de consumidores de março de 2021 em relação a março de 2020 mostra que o indicador segue em queda. A movimentação dos shopping centers foi 61,8%menor. As lojas físicas registraram -44,1% em relação ao ano passado. Os pontos de venda estabelecidos em ruas recuaram 36,1%; os de centros de compra apresentaram -49%.

Comparativo Anual do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas por Região 

Na análise regional, as lojas físicas do Norte tiveram o menor recuo, com -19,4%, seguidas pelo Nordeste, com -38,4%. No Sul os números ficaram em -41,7%; no Sudeste, -56,3%; e no Centro-Oeste, -61,5%. O acumulado do ano no Brasil é de -49,8%.

Entre os shopping centers, tanto o Nordeste quanto o Sul recuaram 40,1% no fluxo de consumidores. No Sudeste, a queda foi maior: -77,2%. Os centros de compras localizados no Centro-Oeste e no Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento.  No acumulado do ano, a queda no país é de 53,3%.

Comparativo Anual do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas por Segmento 

Nas categorias, três tiveram crescimento no comparativo com março de 2020: “eletroeletrônicos” subiu 22%, seguido por “home center”, com 15,1%, e “ótica”, com 10%. Em contrapartida, “moda” teve -55,7%; “beleza”, -55,3%; e “utilidades domésticas”, -55%. “Departamento” (-52,5%), “calçados” (-39,5%) e “drogaria” (-36,6%) também caíram.

Fluxo de Visitas Março 2021 x Março 2020 

Vendas sobem para lojas de rua no comparativo mensal

A queda no fluxo de consumidores em março de 2021 não se refletiu no caixa das lojas – pelo menos nas localizadas em ruas. Os dados de vendas e transações são da F360º, plataforma de gestão financeira com conciliação automática de vendas por cartão para o pequeno e o médio varejista.

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas 

Na comparação mensal, o total de transações em fevereiro de 2021 ficou em 1,95% nas lojas de rua e -28,91% nas lojas de shopping centers em relação a fevereiro. Entre as regiões, o Norte subiu 18,78% e o Centro-Oeste, 2,97%. As demais caíram: Nordeste, com -1,8%; Sul, -1,86%; e Sudeste, -7,29%. 

Na análise do faturamento, as lojas de rua cresceram 6,17% e as de shopping centers caíram: -27,66%. Entre as regiões, apenas o Sudeste teve queda: -5,63%. O Norte teve o maior aumento, com 22,08%. O Centro-Oeste subiu 8,22%; o Nordeste, 3,47%; e o Sul, 3,04%.

Evolução Mensal de Boletos vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de Rua

Evolução Mensal de Boletos vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de Shopping Centers

Comparativo Anual do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas 

No comparativo anual, o número de transações registrou -2,52% entre as lojas de rua e -32,26% nas lojas em shopping centers em relação a março de 2020. Entre as regiões, o Norte cresceu 8,65% e o Centro-Oeste, 1,98%. O Nordeste teve leve queda, -0,85%; seguido por Sul (-7,67%), e Sudeste (-17,59%). 

Já no faturamento, as lojas de rua cresceram 13,83% em relação a março de 2020 e as localizadas em centros de compra registraram -17,98%. Na análise regional, todas registraram aumento no comparativo com o ano passado. Norte, com 18,88%, e Nordeste, com 18,07%, tiveram as maiores altas. O Centro-Oeste subiu 14,22%, seguido pelo Sul, com 9,95%, e Sudeste, com 2,75%.

Comparativo Anual de Boletos vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de Rua 

Comparativo Anual de Boletos vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de Shopping Centers

IPV vs PMC

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) registrou contração de 3,8% no volume de vendas do varejo restrito em fevereiro de 2021 no comparativo com o mesmo mês de 2020. Na mesma direção, o IPV apontou redução de 13,5% na quantidade de boletos gerados e de 47,1% no fluxo de visitas a lojas físicas no mesmo período. 

Na comparação mensal, descontando a influência de fatores sazonais, houve crescimento de 0,6% da PMC restrita em relação a janeiro de 2021. Isso representa um ajuste concentrado em setores que operavam em patamares relativamente baixos após meses de recuo.

O IPV tem por objetivo ser uma medida-resumo diária da intensidade de visitas e vendas de estabelecimentos do varejo. O IPV mensal, também acompanha, em grande medida, o volume de vendas no comércio varejista (PMC restrita). Nesse sentido, o IPV pode ser considerado um antecedente da pesquisa do IBGE. Para o cálculo do IPV, consideramos apenas os estabelecimentos que estão presentes na nossa base das empresas integrantes do índice no último dia de interesse. Além disso, esses estabelecimentos devem ter sido inseridos há pelo menos um ano. Em linhas gerais, o peso de cada estabelecimento é dado pela sua média histórica em relação à soma de todas as médias históricas de todos os estabelecimentos. Por conta disso, é natural que haja pequenas modificações a cada divulgação devido à inserção de novas informações. Para mais informações, acesse https://www.fxdata.com.br/nota-metodologica-ipv.pdf


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