Um ano após fechamento do comércio na pandemia, fluxo de consumidores cresce

Por Equipe FX em 18.05.2021 às 21h12

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No mês de abril de 2021, o IPV de fluxo de visitação registrou forte crescimento anual em todas as regiões do país. Há que se ter cautela com esse resultado uma vez que é o produto de um base de comparação muito fraca de abril de 2020 e não de uma tendência de normalização do fluxo de clientes no comércio varejista presencial. Em abril de 2020, vigoravam  duras medidas de restrição de circulação em diversos estados adotadas ao final de março, na esteira do pico da primeira onda da pandemia de Covid-19. Enquanto, desde meados abril de 2021, o comércio não essencial está em fase de gradual reabertura após fechamento em março de 2021.

A exceção a essa dinâmica é o setor de drogarias, integrante do conjunto de setores essenciais que seguem restrições menos rígidas.  Em abril de 2021, houve contração anual de 26% no fluxo de visitação de drogarias, na contramão do resultado agregado do IPV de fluxo.  Também em contraste ao amplo crescimento no fluxo de visitação, o IPV agregado de faturamento indica redução de 5,7% em abril de 2021 frente ao mesmo mês do ano anterior, e o agregado IPV de boletos aponta decréscimo de 8,8% na quantidade de boletos gerados.

Comparativo Anual de Vendas vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de Rua
Comparativo Anual de Vendas vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de Shopping Centers

Em alta

Em abril de 2020, o comércio brasileiro foi obrigado a suspender o atendimento presencial pela primeira vez por conta da pandemia de covid-19. Um ano depois, ainda que a doença ainda assuste a sociedade, o varejo está atraindo novamente seus consumidores para as lojas físicas. 

O levantamento é do Índice de Performance do Varejo (IPV), feito em conjunto pela FX Data Intelligence, especialista em visão computacional dirigida por IA, fornecendo insights estratégicos para o varejo, e pela F360º, plataforma de gestão de varejo para franquias, pequenos e médios varejistas, em parceria com a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). 

Os dados são chancelados pela 4Intelligence, empresa que desenvolve plataformas de inteligência para o mercado B2B. Ela é a responsável pela metodologia nas análises, garantindo mais equilíbrio ao estudo e agregando outros índices para ratificar a sinergia com outros benchmarks do mercado, como a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio).

Na comparação anual, abril de 2021 registrou crescimento de 538,2% nas lojas físicas em relação a abril de 2020. Nos shopping centers, o aumento foi de 452,4%. Os pontos de venda estabelecidos em centros de compra tiveram o maior salto, com 3.158,1%, enquanto os localizados em ruas subiram 215,9%.

Comparativo Anual Fluxo de Visitas Shopping Centers Vs Lojas Físicas

Na análise regional, as lojas físicas localizadas no Norte tiveram o maior aumento, com 3.084,9%. No Nordeste o crescimento foi de 996,9%, seguido pelo Sudeste, com 461,7%. O Centro-Oeste subiu 209,1% e o Sul, 200,8%. O acumulado do ano no Brasil, contudo, ainda é negativo: -34,7%.

Comparativo Anual Fluxo Acumulado de Visitas em Lojas Físicas por Região (Acumulado)
Comparativo Anual do Fluxo Acumulado de Visitas em Lojas Físicas por Região (Acumulado)

Entre os shopping centers, a região Sudeste teve um salto de 976,7%. Já no Sul aumentou 436,8% e no Nordeste, 246,1%. Os centros de compras localizados no Centro-Oeste e no Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento. No acumulado do ano, a queda nacional é de 43,3%. 

Comparativo Anual Fluxo Acumulado de Visitas em Shopping Centers por Região (Acumulado)
Comparativo Anual Fluxo Acumulado de Visitas em Shopping Centers por Região (Acumulado)

Entre as categorias, apenas uma teve queda na comparação com abril de 2020: “drogaria” ficou em -26%. “Eletroeletrônicos”, por sua vez, cresceu 36.660%. “Calçados”, com 8.007%, “utilidades domésticas”, 2.880%, e “ótica”, 1.548%, cresceram na casa de quatro dígitos. Completam a lista: “moda” (543%), “departamento” (490%), “beleza” (433%) e “home center” (128%).

Comparativo Anual do Fluxo de Visitas por Segmento
"De acordo com os dados IPV os segmentos do comércio varejista definidos como não essenciais, tiveram crescimento expressivo no fluxo de visitas de lojas físicas. Somente Drogaria, que é considerada como serviço essencial obteve queda, -5,3%, no comparativo mês a mês. As empresas precisam manter-se ágeis, e utilizar a transformação digital em seus negócios, para vencer os desafios do mercado varejista e continuar operando.”, afirma Eduardo Terra, presidente da SBVC.

Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, acredita que os dados mostram uma maturidade do setor em relação à pandemia: “O próprio varejo brasileiro passou a compreender mais o novo cenário, oferecendo canais alternativos e, no caso das lojas físicas, condições que preservam a saúde de seus consumidores, criando rotinas e processos que permitem abrir as portas mesmo com a segunda onda da doença”.

Comparação mensal também volta a subir

O bom desempenho em abril se refletiu também na comparação mensal. O fluxo de consumidores em relação a março de 2021 subiu 46,3% nas lojas físicas e 44,7% nos shopping centers de todo o país. As lojas situadas nos centros de compras tiveram o maior aumento, com 63%, enquanto as localizadas nas ruas subiram 26%.

Comparativo mensal do fluxo de visitantes

Na análise regional das lojas físicas, o Centro-Oeste teve o maior crescimento, com 109%, seguido pelo Sul, com 82,4%, e Nordeste, com 53,1%. No Sudeste o fluxo subiu 45,9% e no Norte, 22,1%. Entre os shopping centers, a região Sul cresceu 153,3%, o Sudeste, 59%, e o Nordeste, 20,3%. Os centros de compras do Centro-Oeste e do Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento. 

Evolução Mensal do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas por Região
Evolução Mensal do Fluxo de Visitas em Shoppings por Região

Nas categorias, apenas “drogaria” teve recuo no levantamento mensal, com -5,3%. “Utilidades domésticas” e “moda”, em contrapartida, tiveram os maiores aumentos, com 105,8% e 72,2%, respectivamente. Na sequência aparecem “ótica” (69,4%), “beleza” (69,3%), “calçados” (30,4%), “home center” (21,5%), “eletroeletrônicos” (15,67%) e “departamento” (8,4%). 

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas por Segmento
O crescimento do fluxo de consumidores em abril foi uma reação às restrições impostas pelo poder público para conter o avanço da covid-19 em março. Isso fez, neste mês, com o retorno das atividades comerciais, as pessoas voltarem a frequentar suas lojas preferidas, ainda mais com a proximidade do Dia das Mães”, comenta Ricardo Fiovaranti, CEO da FX Data Intelligence

Vendas acompanham crescimento do fluxo no comparativo anual

Como os consumidores voltaram a frequentar as lojas físicas, os indicadores de vendas e transações também acompanharam esse crescimento em relação a abril de 2020. Os dados são da F360º, plataforma de gestão financeira com conciliação automática de vendas por cartão para o pequeno e o médio varejista. 

O número de vendas cresceu 49,82% entre as lojas de shopping centers e 28,05% nas lojas de rua. Entre as regiões, o Nordeste cresceu 44,71%, seguido por Sul, com 28,69%; Norte, 17,06%; Centro-Oeste, 14,7%; e Sudeste, 12,84%. O acumulado do ano nacional ainda registra -15,85%.

Entre os meios de pagamentos, o “boleto simples” teve o maior crescimento, com 63,64%, seguido pelo “boleto garantido”, com 36,99%. Completam a lista: “débito” (29,3%), “crédito parcelado” (29,01%), “crédito à vista” (25,64%), “dinheiro” (7,02%) e “cheque” (2,78%). 

Comparativo Anual de Vendas por Modalidade de Pagamento

Na análise do faturamento, as lojas localizadas nos centros de compra cresceram 73,44% e as de rua, 35,3%. Entre as regiões, o Sul teve o melhor desempenho, com 43,68%, seguido por Nordeste, com 42,16%. Na sequência aparecem Sudeste, com 30,97%, Norte, com 20,35%, e Centro-Oeste, com 17,11%. O acumulado do ano ainda é negativo: -15,32%.

Comparativo Anual de Vendas vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de rua e de Shopping Centers

Por fim, a comparação anual entre os meios de pagamento mostra maior variação do “boleto simples”, com 56,79%. “Débito” e “crédito parcelado” cresceram 43,59% e 42,3%, respectivamente. “Boleto garantido” (30,57%), “crédito à vista” (28,45%), “dinheiro” (14,32%) e “cheque” (3,46%) também subiram. 

Comparativo Anual de Faturamento por Modalidade de Pagamento

Comparação mensal de vendas e transações também está em alta 

Os números positivos continuam na comparação de abril de 2021 com o mês anterior. O número de vendas cresceu 18,56% entre as lojas de shopping centers e 6,87% nas lojas de rua. Entre as regiões, o Sul cresceu 10,02%, seguido por Sudeste, com 7,19%, Nordeste, com 6,28%, Centro-Oeste, com 5,94%, e Norte, com 4,18%.

Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas e Vendas em Lojas Físicas por Região

Entre os meios de pagamentos, as maiores variações foram das opções “crédito parcelado” e “débito”, com 16,39% e 13,74%, respectivamente. Também subiram “boleto garantido” (8,13%), “crédito à vista” (6,11%) e “dinheiro” (4,88%). Já “boleto simples” e “cheque” caíram: -1,98% e -16,48%, respectivamente. 

Na análise do faturamento, as lojas localizadas nos centros de compra cresceram 20,84% e as de rua, 11,35%. Entre as regiões, o Sul e o Sudeste tiveram os melhores desempenhos, com 17,21% e 12,73%, respectivamente. O Norte cresceu 9,52%, o Nordeste, 9,35%, e o Centro-Oeste, 8,96%. 

Evolução Mensal de Vendas vs Faturamento vs Fluxo de Lojas Físicas de Rua e de shopping

Por fim, a comparação mensal entre os meios de pagamento mostra maior variação do “crédito parcelado”, com 20,3%. “Débito” cresceu 19,1%, seguido por “crédito à vista”, com 12,6%, e “boleto garantido”, com 11,1%. “Dinheiro” (8,7%) e “boleto simples (3,9%)” também subiram. Já “cheque” registrou -26,5%.

“Ainda que não dependa apenas do fluxo de consumidores, a maior presença de clientes nas lojas, conferindo vitrines, promoções e produtos, costuma impulsionar o número de vendas. O mês de abril deixa isso claro, uma vez que o movimento realmente foi maior tanto na comparação anual quanto na mensal”, explica Henrique Carbonell, CEO da F360°.

Reputação de lojas físicas

O IPV também apresenta a reputação on-line de estabelecimentos físicos. Essa métrica é extremamente importante no atual cenário, uma vez que está diretamente relacionada à estratégia de aquisição de clientes. Afinal, quanto maior o índice, maior o poder de atração. 

O RRI (Reputation Rating index) é desenvolvido pela Harmo e analisa diversos fatores, como canal de avaliação (Google Meu Negócio, Facebook Recomendações, TripAdvisor, iFood), notas e volume de avaliações, a data (quanto mais recente o review, maior o peso) e resposta da empresa. As informações são consolidadas em uma nota que varia de 1 a 10.

Raputation Rating Index RRI Reputação

Na comparação dos reviews de shopping centers entre abril de 2021 com o mesmo mês de 2020, observam-se -73,51% nas avaliações positivas, -75,88% nas respostas neutras e -73,63% nas negativas. O RRi, portanto, é positivo nesse período: 0,95%.

IPV vs PMC

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) registrou avanço de 2,4% no volume de vendas do varejo restrito em fevereiro de 2021 no comparativo com esse mês em 2020. Na mesma direção, o IPV apontou aumento de 8,5% no faturamento, mas diminuição de 48,65% no fluxo de visitas a lojas físicas. 

pesquisa mensal do comércio

“Esse descolamento é esperado em momentos de restrição ao funcionamento do comércio, uma vez que as medidas afetam diretamente o fluxo de clientes e indiretamente os indicadores de vendas, sustentados por canais de venda não presenciais”, afirma Julia Ghizzi, analista da 4Intelligence.

Descontando a influência de fatores sazonais, houve contração de 0,6% da PMC restrita frente a fevereiro de 2021. Dos oito setores que compõem a PMC restrita, apenas “hipermercados, supermercados, bebidas e fumo”, com maior peso no índice, registrou crescimento entre fevereiro e março. Em particular, os setores de “tecidos, vestuário e calçados” (-41,5%) e “móveis e eletrodomésticos” (-22,0%), registraram queda acentuada. 

Os consumidores ainda estão em casa

O Google Community Report, por sua vez, ilustra a dinâmica de circulação de pessoas capturada pelo IPV. Os dados mostram que as pessoas continuam passando mais tempo em suas residências do que em locais de lazer ou de compras pouco mais de um ano após o início da pandemia de covid-19.

Google Community Report

Na região Sudeste, que concentra boa parte da atividade varejista, lojas e espaços de lazer tiveram queda de 59% no total de visitantes em abril de 2020 comparado ao período de referência pré-pandemia. Em abril de 2021, o indicador segue negativo: -44%. Já o tempo em casa foi 18% superior no ano passado e 12% maior neste ano. 

A região Norte teve a maior variação. Em abril de 2020, os espaços de compra e lazer receberam -51% visitantes, enquanto o tempo em casa foi 14% superior. Agora, em abril de 2021, o indicador mostra -17% de visitantes nas lojas e espaços de lazer em relação à pré-pandemia e 10% de tempo a mais em casa. 

O Nordeste, que em abril de 2020 viu o número de visitantes em espaços externos cair 63% em relação à pré-pandemia, viu o número chegar a -38% em abril de 2021. Em contrapartida, o tempo passado em casa era 17% maior no ano passado e agora está em 11%. 

No Sul, o total de pessoas em lojas e centros de lazer ficou em -54% em 2020 e -32% em 2021, enquanto o tempo em casa era 16% superior e agora está apenas 8% acima do período pré-pandemia. Por fim, no Centro-Oeste, a variação de visitantes no varejo e ambientes externos saiu de -49% em 2020 para -25% em 2021 – e o tempo passado nas residências passou de 15% a mais para 9% neste ano. 

O IPV tem por objetivo ser uma medida-resumo diária da intensidade de visitas e vendas de estabelecimentos do varejo. O IPV mensal, também acompanha, em grande medida, o volume de vendas no comércio varejista (PMC restrita). Nesse sentido, o IPV pode ser considerado um antecedente da pesquisa do IBGE. Para o cálculo do IPV, consideramos apenas os estabelecimentos que estão presentes na nossa base das empresas integrantes do índice no último dia de interesse. Além disso, esses estabelecimentos devem ter sido inseridos há pelo menos um ano. Em linhas gerais, o peso de cada estabelecimento é dado pela sua média histórica em relação à soma de todas as médias históricas de todos os estabelecimentos. Por conta disso, é natural que haja pequenas modificações a cada divulgação devido à inserção de novas informações. Para mais informações, acesse https://www.fxdata.com.br/nota-metodologica-ipv.pdf


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