Por Equipe FX em 15.06.2021 às 14h08

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Fluxo de consumidores em maio de 2021 cresce no comparativo mensal

Em maio de 2021, o IPV de fluxo de visitação em shoppings centers e lojas físicas continuou registrando forte crescimento anual, em especial nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. A fase de flexibilização do isolamento social contribuiu positivamente para o aumento da visitação no setor varejista, contudo, o resultado do mês é explicado novamente por uma base de comparação muito fraca de maio de 2020. A exceção a essa dinâmica de crescimento anual é o setor de drogarias, integrante do conjunto de setores essenciais que seguem restrições menos rígidas.  Em maio de 2021, houve contração anual de 34% no fluxo de visitação de drogarias, na contramão do resultado agregado do IPV de fluxo em lojas físicas. Ademais, no acumulado no ano até maio, o fluxo de visitação a shopping centers recuou em 26,9% e a lojas físicas em 16,6%, evidenciando que apesar da melhora na comparação anual, o fluxo de visitação continua deprimido. Espera-se que nos próximos meses esse crescimento anual não seja tão forte quanto foi em abril e maio, uma vez que a base de comparação do segundo semestre de 2020 passa a ser maior.

Os indicadores de performance de vendas também indicam que o desempenho do varejo foi melhor em maio de 2021 do que no mesmo mês do ano anterior. Houve aumento anual de 33,5% do faturamento e de 32,7% no número de boletos gerados, dando continuidade ao comportamento de abril. A dinâmica de crescimento na comparação anual é observada em todas as regiões. No entanto, no acumulado no ano ainda temos taxas de crescimento negativas de -4,7% e -14,4% indicando que a performance do setor varejista continua em baixa. 

Júlia Ghizzi, analista da 4Intelligence 

Em alta

Tanto no comparativo mensal quanto no anual, em maio de 2021 os consumidores brasileiros mostraram maior disposição para visitarem as lojas em todo o país. O levantamento é do Índice de Performance do Varejo (IPV), organizado pela venture capital HiPartners Capital & Work em parceria com a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).

Os dados são da FX Data Intelligence, especialista em visão computacional dirigida por IA, fornecendo insights estratégicos para o varejo, e da F360º, plataforma de gestão de varejo para franquias, pequenos e médios varejistas. Eles são chancelados pela 4Intelligence, empresa que desenvolve plataformas de inteligência para o mercado B2B. Ela é a responsável pela metodologia nas análises, garantindo mais equilíbrio ao estudo e agregando outros índices para ratificar a sinergia com outros benchmarks do mercado, como a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio).

Na comparação com abril de 2021, o mês de maio teve um crescimento de 77% no fluxo de consumidores das lojas físicas e de 65,8% nos shopping centers. As lojas situadas nos centros de compras dobraram o fluxo em relação ao mês anterior, com fluxo de clientes 100% maior . Já as localizadas nas ruas subiram 42,1%.

Na análise regional das lojas físicas, o Sudeste teve o maior aumento, com 126,7%, seguido pelo Centro-Oeste, com 121,4%. Na sequência aparecem Sul, com 43,8%, Nordeste, 40,4%, e Norte, 22,1%. Entre os shopping centers, a movimentação no Sudeste foi 130,3% superior, enquanto que no Sul, o aumento foi de 37% e no Nordeste, 9,5%. Os centros de compras do Centro-Oeste e do Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento. 

comparativo mensal do fluxo de visitas lojas físicas e shoppings

Nas categorias, apenas “drogaria” teve recuo no levantamento mensal, com -2,8%. “Utilidades domésticas” e “moda”, em contrapartida, tiveram os maiores aumentos, com 114,6% e 109,2%, respectivamente. Na sequência aparecem “beleza” (92,7%), “ótica” (73,9%), “calçados” (64,3%), “departamento” (62,8%), “home center” (9,1%) e “eletroeletrônicos” (5,7%).

Comparativo mensal do fluxo de visitas por segmento
CITAÇÃO - Eduardo Terra “Os dados do IPV mostram claramente uma confiança maior do consumidor nos estabelecimentos comerciais. Com higienização e protocolos adequados, as lojas tornam-se importantes pontos de apoio das pessoas durante o cenário pandêmico que vivemos”,

Comparação anual também registra alta

O crescimento no fluxo de consumidores foi significativo na comparação com maio de 2020. Na época, o comércio já convivia com as portas fechadas e as incertezas da pandemia. Dessa forma, houve crescimento de 488,9% nos fluxo de consumidores nos shopping centers e de 296,5% nas lojas físicas. Os pontos de venda estabelecidos em centros de compra tiveram o maior salto, com 1.780,7%, enquanto os localizados em ruas subiram 73,3%. 

A maior movimentação de consumidores nas lojas ainda se explica pela véspera do Dia das Mães, que sempre foi uma das principais datas do comércio nacional e que, neste ano, coincidiu com a fase de transição dos planos de contingências dos estados.

Na análise regional, as lojas físicas localizadas no Norte tiveram o maior aumento, com 10.498,3%. No Sudeste, o crescimento foi de 422,7%, seguido pelo Nordeste, com 389%. O Sul cresceu 41,8% e o Centro-Oeste, 19,6%. O acumulado do ano no Brasil, contudo, ainda é negativo: -16,6%.

Entre os shopping centers, a região Sudeste teve um salto de 1.508,5%. No Nordeste aumentou 226,9% e no Sul, 138,2%. Os centros de compras localizados no Centro-Oeste e no Norte não tiveram amostragem significativa no levantamento. No acumulado do ano, a queda nacional é de 26,9%. 

Tabela - Comparativo Anual do Fluxo de Visitas em Lojas Físicas e Shoppings por Região

Entre as categorias, apenas uma teve queda na comparação com maio de 2020: “drogaria” ficou em -34%. “Eletroeletrônicos”, por sua vez, cresceu 11.600%. “Utilidades domésticas”, com 6.519%, e “calçados”, com 3.573%, cresceram na casa de quatro dígitos. “Ótica” (871%), “moda” (350%), “home center” (154%), “beleza” (97%) e “departamento” (50%) completam a lista.

Tabela - Comparativo Mensal do Fluxo de Visitas por segmento
CITAÇÃO - Flávia Pini “Após a incerteza inicial, os varejistas brasileiros conseguiram encontrar estratégias que posicionem seus negócios ao lado dos consumidores, ampliando a confiança das pessoas na marca – a ponto de identificarem o estabelecimento como um local seguro para visitarem mesmo com a pandemia de covid-19 ainda em alta.”

Comparação mensal de vendas acompanha fluxo de consumidores 

Os números positivos continuam na comparação de maio de 2021 com o mês anterior. Os dados são da F360º, plataforma de gestão financeira com conciliação automática de vendas por cartão para o pequeno e o médio varejista. 

O número de vendas cresceu 66% entre as lojas de shopping centers e 38% nas lojas de rua. Entre as regiões, o Sudeste teve o melhor desempenho, com 51%, seguido por Centro-Oeste, com 41%, Norte, com 40%, Nordeste, com 38%, e Sul, com 28%. 

Na análise do faturamento, as lojas localizadas nos centros de compra cresceram 66% e as de rua, 37%. Entre as regiões, o Sudeste e o Centro-Oeste novamente tiveram os melhores desempenhos, com 48% e 42%, respectivamente. Nordeste teve 41%, seguido por Norte, 38%, e Sul, 25%.

Tabela - Comparativo Mensal de Fluxo de Visitas, Vendas e Faturamento

Vendas também aumentam no comparativo anual 

Os indicadores de vendas e transações também subiram em relação a maio de 2020. O número de vendas cresceu 123% entre as lojas de shopping centers e 26% nas lojas de rua. Entre as regiões, o Norte cresceu 46%, seguido por Nordeste, 38%, Sudeste, 34%, Sul, 26%, e Centro-Oeste, 15%. Entretanto, o acumulado do ano nacional ainda registra queda de 14%. 

Na análise do faturamento, as lojas localizadas nos centros de compra cresceram 128% e as de rua, 27%. Entre as regiões, o Norte teve o melhor desempenho, com 45%, seguido por Sudeste, com 35%. Na sequência aparecem Nordeste, com 32%, Sul, com 28%, e Centro-Oeste, com 19%. O acumulado do ano ainda é negativo: -5%.

Tabela - Comparativo Anual de Fluxo de Visitas, Vendas e Faturamento
CITAÇÃO - Henrique Carbonell “As vendas em lojas físicas também estão sendo retomadas durante a pandemia. Mesmo em um cenário de transformação digital, o consumidor ainda valoriza o contato com os estabelecimentos no ponto de venda, possibilitando maior chance de conversão.”

Reputação de lojas físicas

O IPV apresenta a reputação on-line de estabelecimentos físicos. Essa métrica é extremamente importante no atual cenário, uma vez que está diretamente relacionada à estratégia de aquisição de clientes. Afinal, quanto maior o índice, maior o poder de atração. 

O RRi (Reputation Rating index) é desenvolvido pela Harmo e analisa diversos fatores, como canal de avaliação (Google Meu Negócio, Facebook Recomendações, TripAdvisor, iFood), notas e volume de avaliações, data (quanto mais recente o review, maior o peso) e resposta da empresa. As informações são consolidadas em uma nota que varia de 1 a 10. 

RRI reputação

Na comparação dos reviews de shopping centers entre maio de 2021 com o mesmo mês de 2020, observam-se aumentos de 135,4% nas avaliações positivas, 96% nas respostas negativas e 115,4% nas neutras. O RRi, portanto, é positivo nesse período: 0,87%.

Outros indicadores

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) registrou avanço de 23,7% no volume de vendas do varejo restrito em abril de 2021 no comparativo com esse mês em 2020, principalmente devido à fraca base de comparação em decorrência da primeira onda da pandemia. Além disso, houve alta de 1,8% na comparação entre abril e maio de 2021. 

Destacam-se os segmentos de “tecidos, vestuário e calçados” (300,7%) e “móveis e eletrodomésticos” (71,3%) pela forte variação anual. Já “hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo” (-1,8%) foi a única categoria a apresentar contração na comparação anual – o setor teve grande crescimento nos primeiros meses da pandemia. 

Nesse mesmo período de análise, os índices de performance de vendas do IPV apontaram um aumento de 23,5% na quantidade de boletos gerados e de 34% no faturamento, com forte expansão do fluxo de visitação a lojas físicas e shopping centers. 

“A comparação dos indicadores da PMC e do IPV entre abril de 2020 e abril de 2021 corrobora a ideia de que os efeitos adversos da segunda onda da pandemia de covid-19 sobre o varejo restrito são menos intensos do que aqueles provocados pela primeira onda”, afirma Julia Ghizzi, da 4Intelligence.

O Google Community Report, por sua vez, ilustra a dinâmica de circulação de pessoas capturada pelo IPV. Os dados mostram que os fluxos de visitação ao varejo estão se recuperando, porém continuam negativos. 

A média diária de variação no número de visitas a estabelecimentos de varejo e lazer, em comparação ao período pré-pandemia, passou de -50,4% em maio de 2020 para -16,5% em maio de 2021. Na média, a região Norte não apresentou diferença no fluxo de visitação em maio na comparação com janeiro e fevereiro de 2020.

Variação no número de visitantes em locais de varejo e lazer

Aliás, os brasileiros continuam em suas casas. Em média, ficaram 7,2% mais tempo em suas residências em maio de 2021 do que no período pré-pandemia. Devido à ampla adoção do home office, é provável que o comportamento observado seja duradouro.

Variação no tempo em casa em relação ao período pré pandemia

É preciso ressaltar que os estabelecimentos de varejo contemplados nessa estatística específica não incluem farmácias e mercados, segmentos com restrições mais brandas à circulação de pessoas. Em particular, estes segmentos têm maior movimentação de consumidores em maio de 2021 do que na pré-pandemia.

Variação no número de visitantes de farmácias e mercados em relação ao período pré pandemia

O IPV tem por objetivo ser uma medida-resumo diária da intensidade de visitas e vendas de estabelecimentos do varejo. O IPV mensal, também acompanha, em grande medida, o volume de vendas no comércio varejista (PMC restrita). Nesse sentido, o IPV pode ser considerado um antecedente da pesquisa do IBGE. Para o cálculo do IPV, consideramos apenas os estabelecimentos que estão presentes na nossa base das empresas integrantes do índice no último dia de interesse. Além disso, esses estabelecimentos devem ter sido inseridos há pelo menos um ano. Em linhas gerais, o peso de cada estabelecimento é dado pela sua média histórica em relação à soma de todas as médias históricas de todos os estabelecimentos. Por conta disso, é natural que haja pequenas modificações a cada divulgação devido à inserção de novas informações. Para mais informações, acesse https://www.fxdata.com.br/nota-metodologica-ipv.pdf


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