Coronavírus: lojas de shopping perdem mais público do que as de rua após anúncio de pandemia

Por Equipe FX em 20.03.2020 às 12h22

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Indicador da FX Retail Analytics e da F360° analisou visitação e vendas no fim de semana entre 14 e 15 de março

fluxo de visitantes em lojas de todo o Brasil caiu no último final de semana, entre 14 e 15 de março, devido ao medo do novo coronavírus. As lojas de shopping center observaram uma queda muito maior do que as de rua.

Os estabelecimentos que funcionam dentro de centros de compras tiveram recuo de 23,93% na comparação com o fim de semana anterior e de 23,84% com o mesmo período de 2019. Já os pontos de venda em ruas tiveram uma queda de 3,56% em relação ao fim de semana anterior e de 2,37% no ano anterior.

Nesses dois dias, a queda de fluxo foi de 18,89% em todas as lojas físicas (incluindo rua e shopping) e de 23,04% nas portas dos shopping centers. Já no comparativo com o mesmo fim de semana em 2019, houve um recuo de 19,87% nas lojas físicas e de 20,33% nos centros de compras.

Os dados são do Índice de Performance do Varejo (IPV), realizado em conjunto pela FX Retail Analytics, que monitora o fluxo para o varejo em 2 mil lojas, e pela F360°, plataforma de gestão de varejo de 5 mil franquias e pequenos e médios varejistas.

A queda ocorreu logo após a classificação da doença Covid-19, causada pelo novo coronavírus, como pandemia, e a orientação para que a população evite aglomerações.

Segmentos mais afetados
O único segmento com aumento no fluxo de visitantes no final de semana foi o de Drogarias. No total, houve um crescimento de 37,14% em relação ao fim de semana anterior e de 35,01% no mesmo período analisado.

A categoria Beleza teve queda de 8,91% em relação aos dias 7 e 8 de março, mas aumento de 10,30% no comparativo com o ano anterior. Os segmentos Calçado e Eletrônicos caíram 7,71% e 18,93%, respectivamente, na comparação com o fim de semana anterior, e 17,72% e 1,75%, respectivamente, em relação a 2019.

Os demais segmentos tiveram recuos significativos. Ótica caiu 23,18% em relação ao fim de semana anterior e 37,78% no mesmo período do ano passado. Home Center registrou queda de 3,17% e de 33,76%; Moda, de 31,53% e 31,76%; e Lojas de Departamento, de 6,70% e 39,03% nos mesmos períodos analisados.

“Os dados refletem aquilo que já era esperado. O surto do coronavírus aumentou a preocupação dos brasileiros com a saúde, intensificando a busca por medicamentos e materiais de proteção, como álcool em gel e máscaras, e reduzindo o fluxo nos demais segmentos neste momento”, afirma Flávia Pini, CEO da FX Retail Analytics.

Regiões Sudeste e Sul têm maiores quedas

O fluxo de visitantes das lojas do Sudeste caiu 24,54% em relação ao fim de semana anterior e de 22,88% na comparação com 2019. No Sul, as quedas foram de 26,40% e 31,80%, respectivamente.

A região Nordeste caiu 1,85% na comparação com o fim de semana anterior e 9,77% com o fim de semana de 2019. As lojas do Centro-Oeste registraram quedas de 1,02% e 41,57%. Por fim, na região Norte, houve um recuo de 11,20% no comparativo do fluxo do fim de semana anterior, mas um aumento de 5,63% em relação ao mesmo período de 2019.

Onde há crescimento
Em relação ao faturamento, as categorias Galeria, Hipermercado e Rua tiveram crescimento de 8,74%, 8,54% e 3,18%, respectivamente, no último final de semana. Apenas as lojas em locais com maior aglomeração de pessoas tiveram quedas na receita. Em Terminais, houve queda de 0,24%, enquanto em Shoppings houve recuo de 13,55%, e em Aeroportos, de 23,73%.

No comparativo regional, todas as regiões caíram no faturamento. O Sudeste teve a menor queda, com 1,11%, seguido por Nordeste, com 5,51% e Centro-Oeste, 7,02%. Já as lojas do Sul tiveram um recuo de 13,35% nas vendas, e as do Norte, 18,81%.

“Ainda que a preocupação com o coronavírus esteja presente, os brasileiros seguem com sua rotina normal de compras e consumo. O que o levantamento mostra é que a população está dando preferência para lojas com menor aglomeração, como hipermercados e lojas de rua, ao invés dos grandes centros de compras”, diz Henrique Carbonell, CEO da F360°, responsável pelos dados sobre a receita.

Leia na íntegra neste link.

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