Especial: fluxo em shoppings cresce 4,8% no início de janeiro e varejo começa ano otimista

Por Equipe FX em 29.01.2019 às 16h22

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As liquidações de início de ano reforçaram o tom otimista do varejo com a expansão de vendas em 2019. Após um Natal com crescimento nas vendas, os saldões de começo de ano também têm atraído mais consumidores, conforme mostram pesquisas e relatos de empresários.

Nos primeiros 10 dias de janeiro – período que concentra boa parte das promoções de varejistas – o fluxo de visitantes nos shoppings centers do País subiu 4,79% frente ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) e da consultoria FX Retail Analytics levantados com exclusividade para o Broadcast.

O crescimento no fluxo de visitantes neste começo de ano dá sequência às previsões positivas do setor, especialmente após dados robustos do período natalino, quando as vendas nos shoppings cresceram 9,3%, patamar acima da alta de 8,0% projetada pela Abrasce.

“Definitivamente, 2018 marcou a retomada do varejo”, afirmou o presidente da Abrasce, Glauco Humai. “Depois de anos de muita dificuldade, o resultado do Natal apontou que a curva parece ter mudado a direção. Já neste ano, nos mantemos otimistas, visto que, nos primeiros dias, os resultados se mantiveram positivos e em alta”, complementou.

No setor de eletroeletrônicos, as liquidações de janeiro são usadas para limpar estoques, com descontos que este ano chegaram a 70%, em especial em itens de mostruário, destaca o diretor comercial da GfK, Henrique Mascarenhas. Ele ressalta que os meses de novembro e dezembro já tiveram resultados de vendas positivos, com a Black Friday e o Natal gerando resultados melhores que no ano anterior. Embora ainda não haja um levantamento concluído sobre o desempenho das liquidações de eletroeletrônicos, ele considera que há otimismo por parte de indústria e varejo.

“Há uma demanda reprimida em eletroeletrônicos, setor que teve um boom de vendas até 2008 e hoje o consumidor precisa repor esses eletrônicos antigos”, diz o executivo da GfK. “Essa demanda reprimida vira demanda efetiva com a melhora da confiança que temos observado desde o fim do período eleitoral”, concluiu Mascarenhas.

Outro sinal positivo veio do Magazine Luiza, que realizou uma ação promocional em 4 de janeiro nas lojas físicas e canais digitais. A chamada “Liquidação Fantástica” de 2019 superou o desempenho da promoção do ano passado, conforme antecipou o vice-presidente da companhia, Fabrício Garcia. “O dia foi muito bom, acima das expectativas. Crescemos em relação à liquidação do ano passado”, afirmou, sem, entretanto, revelar números. “Estamos bastante confiantes com o ano. O resultado de hoje demonstra isso”, sintetizou.

A retomada da confiança é apontada como a principal razão para um bom início de ano no varejo. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a confiança do consumidor avançou para o maior nível desde julho de 2014. O índice medido pela instituição subiu 7,1 pontos em novembro, atingindo 93,2 pontos.

No segmento de moda, a liquidação começou mais tímida na virada do ano e foi ganhando fôlego, algo que, nesse caso, é notícia positiva. Trata-se de um sinal de que as vendas de fim de ano foram boas e que algumas empresas esperaram mais um pouco para queimar as sobras, destacou a CEO da AGR Consultores, Ana Paula Tozzi.

Segundo a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), que representa cerca de 90 grandes marcas do varejo brasileiro, 62% das associadas reportaram resultados de vendas melhores em dezembro em relação ao mesmo mês de 2017. “Empresários do setor estão com uma visão mais positiva em relação à economia e em relação ao novo governo”, comentou o diretor executivo da ABVTEX, Edmundo Lima, que também afirmou que o clima é de otimismo para as liquidações.

Parte da explicação para as vendas mais fortes no final do ano vem do maior investimento em estoques. Na crise, varejistas tendem a evitar arriscar na compra de altos volumes, o que por si só já limita as vendas. Pela frente, a manutenção da confiança dos empresários e consumidores em patamares elevados será fundamental para determinar os investimentos tanto em estoques como até mesmo na abertura de novas lojas.

Para Tozzi, da AGR, o varejo aguarda sinalizações positivas para o andamento da reforma da Previdência. “Com a inflação baixa e com perspectiva de crescimento e geração de emprego, existe uma conspiração positiva que o varejo tem que aproveitar”, comentou.

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